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Corrida da Independência na lama: moradores de Tamoios protestam no 6 de setembro e desafiam o prefeito a trocar o asfalto do centro pelo barro da ponta

REPORTER MARLON BORGES
por REPORTER MARLON BORGES 06 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Corrida da Independência na lama: moradores de Tamoios protestam no 6 de setembro e desafiam o prefeito a trocar o asfalto do centro pelo barro da ponta

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No dia anterior ao Sete de Setembro, moradores de Tamoios saíram à Avenida Independência para “correr” na lama e lembrar que emancipação e serviço básico ainda não chegaram ao distritoTamoios, Cabo Frio (RJ) – Enquanto o Sete de Setembro se aproxima com desfile, bandeira e discurso de independência, moradores de Tamoios foram para a Avenida Independência no sábado, 6 de setembro, fazer o único treino que o asfalto local permite: correr na lama. O ato, batizado de Corrida da Independência, misturou protesto pacífico, ironia e um recado direto ao prefeito de Cabo Frio, chamado no ato de “prefeito do TikTok”: se dá para pedir voto à irmã nas ruas pavimentadas do centro, dá para vir correr aqui também.O tom foi de deboche sem perder o ponto. “O prefeito está correndo pelas ruas do centro de Cabo Frio pedindo votos para a irmã. Será que eles vêm correr aqui com a gente também?”, repetiram no ato. A coreografia do TikTok virou bordão: levanta a mão e faz assim, morreu aí no correr mole do centro, quero ver correr comigo.Davi Peçanha, do bairro Botafogo, e Renato, de Ribeira das Ostras, falaram em nome de moradores de mais de um município. Disseram que o corre na lama representa o abandono de Tamoios. A união, segundo eles, é em busca de melhorias que a ponta do município não vê chegar.

O objetivo declarado do ato foi trazer à memória o Sete de Setembro e o que Tamoios ainda espera: independência no sentido prático, emancipação que “ainda não chega” e direitos básicos previstos na Constituição. Pavimentação, saúde, educação e segurança foram citados como serviços negligenciados. O pedido é que as verbas que entram em Cabo Frio cheguem até a ponta.Davi descreveu o cotidiano que a “lente da prefeitura não mostra”. Disse estar cansado de promessa em ano eleitoral, com obras começando e o básico sem atendimento: uma máquina passando nas estradas. Em Botafogo, segundo ele, escavadeira ao lado do lixo e senhora de 60 ou 70 anos se agarrando à cerca para não meter o pé na poça na hora de comprar pão.

Quem anda de bicicleta, sem carro, descreveu o trecho como péssimo dos dois lados da via. “Não tenho condições de passar de boa.” A reivindicação imediata não foi obra faraônica: manutenção paliativa para garantir o direito de ir e vir de quem está em situação de vulnerabilidade.O próximo destino anunciado no ato foi Botafogo. O recado ficou no mesmo registro sarcástico com que a corrida começou: independência de verdade, para Tamoios, ainda depende de alguém sair do centro pavimentado e meter o tênis na lama da Avenida Independência.

REPORTER MARLON BORGES
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REPORTER MARLON BORGES

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