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PATRIMÔNIO DE GLEYDSON RESENDE SALTA DE R$ 765 MIL PARA R$ 2,3 MILHÕES NO TSE

REPORTER MARLON BORGES
por REPORTER MARLON BORGES 06 de setembro de 2026 · 5 min de leitura
PATRIMÔNIO DE GLEYDSON RESENDE SALTA DE R$ 765 MIL PARA R$ 2,3 MILHÕES NO TSE

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Declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral mostram o ex-prefeito de Barão de Grajaú com crescimento acelerado de fortuna declarada entre um pleito e outro, no momento em que ele deixa a prefeitura para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. Barão de Grajaú (MA) – Os números estão no sistema público da Justiça Eleitoral e não dependem de palanque. Em uma declaração, Gleydson Resende da Silva informou R$ 765 mil em bens. Em outra, o total sobe para R$ 2.369.281,26. A DIFERENÇA PASSA DE R$ 1,6 MILHÃO. O patrimônio DECLARADO MAIS QUE TRIPLICA. O salto, de cerca de 210%, virou matéria-prima de debate político no sul do Maranhão. Não porque o TSE tenha apontado crime. Porque o próprio registro oficial coloca lado a lado duas fotografias financeiras do mesmo nome e deixa o eleitor fazer a conta.Gleydson nasceu em Barão de Grajaú em 11 de julho de 1983. Governou a cidade pela primeira vez a partir de 2013, reconquistou o cargo em 2016 e voltou à prefeitura em 2024 pelo União Brasil, com 6.228 votos, 46,54% dos válidos. O vice da chapa foi Antonio Carlos Resende, do PSB. Em março de 2026, o então prefeito se filiou ao MDB, renunciou e passou o cargo ao companheiro de chapa. O destino anunciado é a disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa.

A FORTUNA DECLARADA CRESCEU NO MESMO TRAJETO EM QUE O PODER LOCAL SE CONSOLIDOU. Isso não prova origem ilícita. Também não apaga a pergunta que a lei da transparência existe para fazer: de onde veio, e com que velocidade, esse acréscimo.

Em 2024, ao registrar a candidatura vitoriosa à prefeitura, o total informado à Justiça Eleitoral chegou a R$ 2.780.821,80, segundo dados reproduzidos na cobertura da eleição municipal. O recorte agora em circulação nas redes compara R$ 765 mil com R$ 2.369.281,26. São recortes diferentes do mesmo arquivo público. Em qualquer um deles, o nome deixa a casa dos milhares e entra na casa dos milhões. A declaração de bens não inclui salário. Não inclui rendimento do mês. Inclui o que o candidato diz possuir no instante do registro: imóvel, veículo, aplicação, participação em empresa, dinheiro em espécie, joia, gado, quota societária. O valor, em regra, segue o que foi informado à Receita, muitas vezes o preço de aquisição, e não o preço de mercado de hoje. UM IMÓVEL PODE APARECER BARATO SEM QUE ISSO SEJA FRAUDE. Um salto brusco, porém, exige explicação completa, porque o documento existe para ser lido, comparado e cobrado. Barão de Grajaú é município de fronteira com o Piauí, de eleitorado curto e memória longa. Quatro anos de prefeitura pesam. Oito anos pesam mais. Três passagens pelo Executivo local transformam o sobrenome em estrutura. Em 2020, impedido de concorrer de novo, Gleydson apostou no tio Antonio Carlos Resende e perdeu para Claudimê. Em 2024, a chapa se reorganizou e venceu. Em 2026, o grupo entrega a prefeitura e tenta levar o nome para São Luís. ESSE É O CENÁRIO EM QUE R$ 765 MIL VIRAM R$ 2,3 MILHÕES. Não é um detalhe de planilha. É o ponto em que a biografia política encontra o extrato. O Tribunal Superior Eleitoral não classifica crescimento como irregularidade. A Folha, ao organizar as declarações de mais de 20 mil candidatos de 2026, fez o aviso que vale para qualquer urna do país: alta ou queda milionária pode nascer de herança, venda, correção, erro de digitação, valorização mal lançada ou de fato que a declaração sozinha não mostra. Pode também nascer de inconsistência que precisa ser retificada ainda durante o processo eleitoral. O dado público não condena. O dado público IMPEDE O SILÊNCIO. Em cidade pequena, patrimônio e mandato andam visíveis. O eleitor vê a casa, o carro, a obra, o parente no cargo, o comício e o número no DivulgaCand. A distância entre o que se governa e o que se declara vira medida de confiança. QUANDO O BEM CRESCE MAIS RÁPIDO DO QUE A EXPLICAÇÃO, A DESCONFIANÇA OCUPA O ESPAÇO QUE O GESTOR DEIXOU VAZIO.

Não há, nos documentos consultados, lista aberta item a item dos R$ 2.369.281,26 agora destacados. Sem o detalhamento, sobra o total e a velocidade. Sobram também as regras do jogo: candidato declara, Justiça publica, sociedade compara. Se houver correção, o sistema admite retificação. Se houver omissão, o caminho é o Ministério Público Eleitoral e a Receita, não o rumor de corredor. Gleydson Resende da Silva deixa a prefeitura como ex-gestor e entra na disputa estadual com o sobrenome já conhecido no mapa do sul maranhense. O arquivo do TSE viaja com ele. R$ 765 mil de um lado. R$ 2.369.281,26 do outro. No meio, mais de R$ 1,6 milhão e uma pergunta que não precisa de palanque para existir. O VOTO NÃO ANULA A PLANILHA. A planilha também não substitui o voto. O que a Justiça Eleitoral entregou ao eleitor é mais simples e mais duro: o direito de olhar os dois totais, lado a lado, e decidir se a origem dessa multiplicação está suficientemente clara para quem pede, outra vez, o poder de representar o mesmo povo.

REPORTER MARLON BORGES
Reportagem por

REPORTER MARLON BORGES

Jornalismo investigativo. Denuncias, politica, policia e operacoes no Piaui, Nordeste e Brasil.

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