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OITO PESQUISAS SUSPENSAS NO PIAUÍ E O ALERTA SOBRE OS NÚMEROS QUE ANTECEDEM O VOTO

REPORTER MARLON BORGES
por REPORTER MARLON BORGES 09 de junho de 2026 · 5 min de leitura
OITO PESQUISAS SUSPENSAS NO PIAUÍ E O ALERTA SOBRE OS NÚMEROS QUE ANTECEDEM O VOTO

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 Decisões da Justiça Eleitoral retiram de circulação levantamentos de quatro institutos e reabrem o debate sobre metodologia, transparência e a confiança do eleitor em ano de disputa estadual.

Em ano eleitoral, o número chega sempre antes da suspeita. Quando a Justiça manda recolher uma pesquisa, o estrago na percepção já foi feito. Havia um dado em circulação. Depois outro. E mais um. A cada divulgação, uma estatística migrava do registro técnico para o grupo de mensagens, do grupo para a conversa de calçada, da calçada para a convicção. Para boa parte do eleitor, aqueles percentuais pareciam fotografias da realidade. Eram, na verdade, fotografias de um instante que ainda estava sendo revelado. O TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO PIAUÍ enxergou outra coisa. Onde o público via retrato, a corte via desconformidade. O resultado foi a retirada de circulação de OITO pesquisas eleitorais registradas no estado, somada a uma multa de R$ 53 MIL e à ordem expressa para que veículos, blogs e perfis apagassem os números já publicados.

Os levantamentos pertencem a quatro institutos de atuação regional. CENSUS, no registro PI-02095. CREDIBILIDADE, em dois trabalhos, PI-09060 e PI-09734. DATAMAX, em três, PI-00449, PI-01053 e PI-07551. AMOSTRAGEM, no PI-02185. A esses se soma um oitavo registro atribuído à CENSUS, o PI-00817. Cada decisão tem fundamento próprio e merece leitura individual. O conjunto, porém, desenha um padrão que parou de passar despercebido.

Não é episódio isolado. Na mesma janela, o TRE-PI julgou procedente, por unanimidade, uma representação contra a DATAMAX no registro PI-09019/2026. A apuração foi levantada primeiro pelo portal Oito Meia. Pesquisas eleitorais ocupam um lugar incômodo na democracia. Não se limitam a medir. Elas fabricam atmosfera. O candidato apontado como favorito atrai dinheiro, palanque e adesão por inércia. O adversário desenhado como distante perde fôlego antes de qualquer urna. O fenômeno tem nome na ciência política, efeito manada, e independe da boa ou da má fé de quem coleta o dado. Mesmo a pesquisa tecnicamente impecável move o tabuleiro só por existir. Por isso a lei cerca o setor de exigências, registro prévio, transparência de metodologia, plano amostral, questionário, contratante. A norma parte de uma desconfiança fundadora. QUEM CONTROLA A PERGUNTA INFLUENCIA A RESPOSTA. É aqui que o caso piauiense deixa de ser estatística e vira política. O PIAUÍ lidera o país em número de pesquisas eleitorais registradas, e não por acaso. O estado vive a antessala de uma disputa estadual em que o governador RAFAEL FONTELES busca a reeleição. Uma denúncia pública do jornalista Silas Freire, no portal Encarando, sustenta que a maioria dos institutos locais estaria contratada por estruturas ligadas ao Palácio de Karnak, apresentando como independentes números convenientes ao grupo no poder. Os institutos não se manifestaram. Do outro lado do espelho, o instituto VERITÁ, de alcance nacional e caro à oposição, desenha um quadro mais competitivo, mas carrega o próprio passivo. Teve pesquisas suspensas no Piauí e em pelo menos quatro outros estados, todas acusadas dos mesmos vícios metodológicos. O relator de uma dessas decisões falou em padrão sistêmico de comportamento.

O eleitor, no centro, é quem paga a conta da dúvida. ENTRE DUAS ARQUITETURAS DE NÚMEROS, A LOCAL SUSPEITA DE INFLAR O GOVERNO E A NACIONAL SUSPENSA POR INCONSISTÊNCIA, SOBRA POUCO CHÃO FIRME PARA QUEM SÓ QUER ENTENDER A ELEIÇÃO. O Piauí não inventou o problema. Em 2024, às vésperas do primeiro turno, CURITIBA viveu um apagão de pesquisas. Das oito sondagens previstas para a corrida à prefeitura, sete foram suspensas, e a capital chegou ao voto quase sem retrato oficial. Em 2026, o TOCANTINS viu OITO levantamentos para o governo caírem ao longo da pré-campanha. O que muda de um caso para outro nunca é a estatística pura. É o fundamento de cada processo e a leitura que a Justiça faz dele.

Há ainda uma ironia fina no roteiro. A mesma decisão que recolhe a pesquisa transforma a sua divulgação em transgressão. Compartilhar o número suspenso, no print ou na corrente de mensagens, passou a render multa diária. O dado que ontem era munição de campanha virou, da noite para o dia, infração. Mas a percepção que ele plantou não cabe em mandado. Não se recolhe o que já virou conversa. No fim, a disputa ultrapassa empresas, siglas e candidatos. Em período eleitoral, não se briga apenas por voto. Briga-se por confiança, que é mais lenta de construir e mais fácil de quebrar. Toda vez que um levantamento é retirado de circulação, fica no ar a única pergunta que nenhuma liminar responde. QUANTOS ELEITORES JÁ HAVIAM FECHADO SUA OPINIÃO ANTES QUE A SUSPEITA CHEGASSE.

REPORTER MARLON BORGES
Reportagem por

REPORTER MARLON BORGES

Jornalismo investigativo. Denuncias, politica, policia e operacoes no Piaui, Nordeste e Brasil.